É seguro operar-se de catarata?
Os ingleses quando chegaram à Índia
espantaram-se com as longas filas que formavam à espera dos cirurgiões
de catarata, surgiu ali o termo fila indiana. Há mil anos conhecemos as
cataratas e as curamos cirurgicamente. Aprendemos muito nesse tempo. |
Sintomas
Os sintomas costumam aparecer depois dos cinqüenta anos.
Inicialmente percebem-se flutuações da visão. Em alguns momentos - como
dirigir sob muito sol - há grande dificuldade em se enxergar. A
diminuição do contraste, alterações das cores e embaçamento da visão se
seguem com maior ou menor intensidade.
Se você comparar seu olho a uma câmara fotográfica o
cristalino é a lente que modifica o foco para dar nitidez a objetos em
várias distância. A catarata é o envelhecimento natural do cristalino
que se torna opaco. Como o aparecimento dos cabelos branco, a catarata
irá se manifestar em diferentes idades em cada indivíduo ou família.
Mesmo recém nascidos podem ter catarata, por outro lado pessoas de idade
avançada podem manter sua plena visão.
A visão não desaparece totalmente os principais sintomas são:
- Mudança na percepção das cores
- Dificuldade para enxergar em ambientes muito iluminados
- Mudança do grau dos óculos
- Visão de arco-íris ou pontos flutuantes no campo visual |
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Uma curiosidade. Um dos sintomas da
catarata é o que chamamos de miopia de índice, ou seja o cristalino
aumenta seu volume e as pessoas míopes ficam mais míopes ou
hipermétrope tem seu grau diminuído. O míope vê bem de perto sem
óculos. Quando vemos nossas avós enfiando a linha na agulha sem óculos
esse pode ser sinal de que a vovó está desenvolvendo catarata!
Remédios a base de cortisona, algumas doenças (como o
diabetes e reumatismo), as inflamações oculares e também traumatismos
aceleram o desenvolvimento da catarata. |
Formas especiais de catarata: |
Podem acelerar o aparecimento da catarata: |
Congênita |
Infecções |
Traumática |
Inflamações Oculares |
Metabólica |
Diabetes |
Cortisônica |
Medicamentos |
Muitos colírios prometem a regressão
ou estabilização da catarata. Já se tentou homeopatia, vitaminas,
filtros solares e anti-oxidantes. Nenhum deles mostrou comprovada
eficácia. O tratamento é cirúrgico. Consiste na substituição do
cristalino por uma lente intra-ocular definitiva. Costuma ser cirurgia
rápida de breve recuperação. A grande maioria das pessoas obtém bons
resultados. |
Técnicas de Cirurgia
A três principais técnicas de cirurgia de
catarata são a facoemulsificação, a extração extra-capsula e extração
intra-capsular. Na facoemulsificação realizamos uma pequena incisão na
córnea, de cerca de 3mm, e por ali vamos fragmentando e aspirando o
cristalino doente. A faco-emulsificação é a forma mais avançada de se
operar a catarata. Por uma pequena incisão fragmentamos e aspiramos o
cristalino com ajuda do ultra-som (algumas pessoas falam erradamente
que é pelo Laser). Esta tácnica permite uma recuperação visual mais
rápida e um período pós operatório mais curto. |
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A cirurgia de extração extra-capsular
era a técnica tradicional. O núcleo do cristalino é retirado
inteiro. É preciso fazer uma abertura maior, utilizamos uma incisão de
11 a 12mm. Essa incisão exige a sutura com sete a onze pontos. A sutura
da córnea induz o astigmatismo e, embora o resultado final seja
semelhante à faco-emulsificação, o pós operatório estende-se até a
retirada dos pontos, cerca de 40 dias depois da cirurgia. Esta ainda
pode ser a melhor técnica para cataratas muito duras (maduras). |
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Em ambas as
técnicas o envoltório do cristalino – chamado saco capsular – é
preservado. Utilizamos o saco capsular para implantar-mos a lente
intra-ocular que substitui o cristalino.
As duas maneiras de se operar a
catarata dão bom resultado. O paciente tem melhora da visão em 95% dos
casos. As complicações são poucas e em sua maioria transitórias.
É fundamental seguir cuidadosamente a
rotina de exames pré operatórios e as recomendações pós operatórias
quanto a repouso e uso de colírios e medicamentos. |
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Assista aos vídeos:
Animação explicativa da técnica de Facoemulsificação:
http://www.youtube.com/watch?v=E8MNqlBfb2Q
Preparativos e vista da sala de cirurgia:
http://www.youtube.com/watch?v=wuSeX4O8wWs
Assista uma cirurgia completa:
http://www.youtube.com/watch?v=sBpwBgBgQb4
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Lente Intra- Ocular
Para recompor o sistema óptico natural
temos que substituir o cristalino natural por uma lente intra-ocular
(LIO - cristalino artificial).
As lentes intra-oculares surgiram da observação de Harold
Ridley – oftalmologista da força aérea inglesa - durante a 2a guerra
mundial. Ele observou fragmentos das cabines dos aviões de caça –
feitas de acrílico transparente – nos olhos de pilotos feridos em
combate. Esses fragmentos permaneciam inertes dentro do olho. Teve
então a idéia de usar o mesmo acrílico, o polimetilmetacrilato, para
confeccionar lentes intra-oculares. As primeiras lentes eram muito
pesadas e não conseguiam se manter na posição. Foram precisos 50 anos
de pesquisas para chegarmos às modernas lentes utilizadas hoje em dia.
A Lente Intra Ocular (LIO) é uma lente definitiva. O
paciente e as pessoas a sua volta não percebem a presença da LIO. Mesmo
com a LIO costumam ser necessários óculos para se obter a melhor visão
possível (em especial para perto). |
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Cada técnica
cirúrgica exige um modelo especial de lente intra-ocular. A
faco-emulsificação exige lentes dobráveis, que possam ser injetadas
dentro do olho pela pequena incisão. Cada cirurgião de catarata tem as
suas preferências – são lentes com as quais têm maior experiência e
segurança de bons resultados. Na ausência do suporte capsular usamos
lentes especiais de câmara anterior.
Chegamos a um grau de desenvolvimento tecnológico que em
alguns casos, mais do que recuperar a visão, a cirurgia de catarata
pode melhorar o desempenho visual de algumas pessoas. É o caso dos
pacientes que têm altos graus de miopia, hipermetropia ou astigmatismo.
A cirurgia de catarata é também a ocasião de reduzir
significativamente esses graus e tornar a pessoa mais independente dos
óculos. Temos, inclusive, lentes intra-oculares multifocais, elas
permitem a visão de longe e perto sem a necessidade de óculos na maior
parte do tempo. Lestes especiais – asféricas – foram desenvolvidas para
aqueles que têm o hábito ou a necessidade de dirigir, especialmente em
estradas ou à noite. |
Hoje temos opções diferentes de lentes intra-oculares, cada uma delas se adapta melhor a um estilo de vida.
Faça o teste abaixo para orientar a
escolha da lente intra-ocular mais adequada ao seu estilo de
vida. Calcule de forma aproximada o número de horas a cada semana que
você gasta em cada uma das atividades listadas abaixo. Dobre o número
de horas daquela tarefa que você acha que é a mais importante a qual
você se dedica – por exemplo, escrever a sua autobiografia (=trabalhar
no computador). Verifique se a soma das horas é maior no grupo I, azul,
que podem ter indicação de lentes asféricas, no grupo II, amarelo, das
lentes acrílicas convencionais, ou no grupo III, verde, que talvez
tenha melhor adaptação com as lentes multifocais. |
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A rapidez da
recuperação não deve nos iludir. Quanto mais confortável for a cirurgia
para o paciente mais tempo o cirurgião dedicou aos seus estudos e
treinamento cirúrgico. Trabalhamos num campo total de menos de 1cm,
através de uma incisão de poucos milímetros. |
Complicações
Mesmo com todos os cuidados e
preparativos, tanto antes como durante a cirurgia, são possíveis
ocorrências inesperadas. Elas podem ser imediatas ou tardias, que serão
manipuladas pelo cirurgião e sua equipe com a melhor diligência, mas
não podem ser ignoradas, e as citamos a seguir em ordem decrescente de
probabilidade:
- Hematomas – podem ser: retro-ocular (atrás
do olho) das pálpebras ou da conjuntiva (mucosa que recobre o
olho). Embora não costumem ter gravidade podem comprometer a aparência
do olho nos primeiros dias. Evite marcar sua cirurgia às vésperas
de compromissos sociais importantes.
- Ruptura da cápsula do cristalino – poderá exigir o implante de uma lente especial para essa situação.
- Perda de vítreo (conteúdo viscoso do
olho) – aumenta a chance de descolamento da retina,os pacientes nessa
situsação devem ter suas retina periféricas avaliadas.
- Retenção de restos do cristalino
(cortical) – embora possam absorver-se espontaneamente, essa
ocorrência poderá exigir a remoção cirúrgica dos restos
cortiças.
- Luxação do núcleo do cristalino, ou
fragmentos, para o vítreo (parte posterior do olho) – embora possam
absorver-se espontaneamente, essa ocorrência poderá exigir a
sua remoção cirúrgica..
- Deslocamento (luxação ) da lente intra-ocular – a LIO precisará ser reposicionada no centro cirúrgico.
- Edema da retina (edema macular cistóide)
– podem ocorrer no pós operatório imediato ou até 30 dias apos a
cirurgia. Será necessários exames para o seu diagnóstico e tratamento
com colírios e comprimidos.
- Edema da córnea (ceratopatia bolhosa) – a
córnea depende de uma camada de células chamada endotélio para
sua transparência. Durante a cirurgia usamos visco-elásticos de alta
qualidade para proteção da córnea. Mesmo com os devidos cuidados
algumas córneas poderão perder de maneira definitiva a sua
transparência, exigindo o uso crônico de colírios e em último caso
o transplante de córnea.
- Descolamento da coróide – a coróide eé
um tecido vascular que dá sustentação a retina, em quadros
inflamatórios oculares ele pode encher-se de plasma. O tratamento é com
colírios e comprimidos, Poderá exigir drenagem cirúrgica em raras
ocasiões.
- Ruptura retiniana – a manipulação da
catarata pode causar rasgões na retina, se detectados precocemente
podem ser tratados pelo Laser.
- Descolamento da retina – são causados
pela ruptura da retina. São mais comuns quando acontece perda do
vítreo. O tratamento é cirúrgico.
- Hemorragia supra-coroideana (hemorragia
expulsiva) – é muito rara, é mais freqüente em pacientes que
associam hipertensão arterial, hipertensão ocular, idade avançadas e
alterações do ritmo cardíaco. É ainda mais rara na
faco-emulsificação, quando comparada com outras técnicas.
- Infecção (endoftalmite) – é rara mas
temível. Exigirá o uso de antibióticos na forma de colírios e
comprimidos. Algumas vezes será necessário uso de medicação injetável.
Alguns pacientes exigirão nova cirurgia para remoção do material
infectado.
As ocorrências
listadas acima, mesmo resolvidas com sucesso, podem causar algum grau
de restrição visual e até mesmo a perda da visão.
Tire suas dúvida sobre o procedimento antes da realização da
cirurgia. Qualquer dúvida no pós operatório deve ser levada ao seu
médico. |
Se você quiser saber mais:
HISTÓRIA DA CIRURGIA DA CATARATA
O
estudo da anatomia e fisiologia do olho teve início há mais de 3000
anos. Infelizmente, muitos dos relatos antigos se perderam ou
encontram-se incompletos. Dentre os mais antigos, estão as descrições
feitas por Hipócrates (400 a.C.) e por Aristóteles (350 a.C). A
descrição do cristalino com a cápsula e suas estruturas zonulares data
do século I d.C., quando Celsus, Rufus e Galeno relataram sua anatomia.
Eles postularam que esta estrutura era a responsável pela visão. A
teoria de Celsus foi questionada por Ibn Rushd, em 1150, que propôs que
a retina, e não o cristalino, seria a estrutura responsável pela
visão. Entretanto, esta idéia só seria aceita em 1515, quando Vesalius
confirmou a função da retina e Francisco Manrolycus estabeleceu a
função óptica do cristalino.
Até esta época, acreditava-se que a catarata era uma
doença semelhante ao glaucoma, pois, aparentemente, ambas levavam à
cegueira e ao “esbranquecimento do olho”. A idéia da catarata, como
sendo a opacificação do cristalino, foi descrita somente em 1650, por
Rolfinck, e rejeitada inicialmente pela grande maioria dos médicos,
sendo inteiramente aceita somente um século depois.
Apesar da compreensão da anatomia e da função do
cristalino serem recentes, as cirurgias de catarata já eram realizadas
há muito tempo. O código de Hammurabi (1800 a.C.) previa a pena de
amputação das mãos no caso do cirurgião causar uma lesão grave ao olho
do paciente na tentativa de se operar a catarata. O primeiro manuscrito
conhecido da cirurgia de catarata encontra-se no Susruta, datado do
início do século I, e descreve a manometria de deslocamento do
cristalino para a câmara vítrea nos casos de catarata. Por muito tempo,
esta foi a técnica de escolha para a maioria dos casos. Celsus e
Galeno propuseram que nos casos em que a luxação não fosse possível, o
cristalino deveria ser dilacerado e seus pedaços espalhados no vítreo.
Além destas, diversas outras técnicas foram utilizadas ao longo do
tempo apesar dos resultados desanimadores. Muitas vezes, as técnicas
criadas foram utilizadas por algum tempo e depois abandonadas, sendo
retomadas à medida que o desenvolvimento dos equipamentos e materiais
permitia. Este foi o caso da facoemulsificação, que é atualmente o
método de escolha para o tratamento da catarata e que consiste em
fragmentar e aspirar o cristalino. O primeiro a empregar o método de
sucção para remoção da catarata foi Antyllos, um grego que viveu no
século III. Entretanto, foi Abul Quasim Ammar o primeiro a descrever
com detalhes esta técnica em seu “Livro da Seleção das Doenças
Oculares”. O ponto em comum, entre as técnicas mais bem aceitas, era o
fato de serem realizadas sem amplas aberturas do olho, por meio da
luxação do cristalino para a câmara vítrea ou fragmentação do mesmo,
para posterior reabsorção pelo próprio organismo.
A primeira grande evolução na cirurgia de catarata
começou em 13 de abril de 1752, quando Jacques Daviel apresentou seu
trabalho intitulado, “Um novo método para a cura da catarata por meio
da extração do cristalino”. Segundo Daviel, o cristalino seria removido
por meio da abertura da cápsula anterior e ampla incisão na córnea.
Esta técnica foi conhecida como extração extra capsular, tendo sido
utilizada por algum tempo e depois abandonada, para somente 2 séculos
depois ser resgatada. Enquanto isso, outras técnicas surgiram, como a
da extração intracapsular, descrita inicialmente por St. Yves em 1722, e
aperfeiçoada por Samuel Sharp e posteriormente por George Beer, em
1799.
Deu-se início a uma nova era no tratamento da catarata,
com cirurgias que abriam o olho para remover o cristalino. A idéia de
abrir o olho não era bem vista pela maioria dos cirurgiões, sendo que
esta técnica só ganhou força na segunda metade do século XIX, após três
grandes avanços da Medicina.
O primeiro foi a introdução da anestesia geral, que vinha
sendo realizada desde o início do século XIX, mas que somente 50 anos
depois passou a ser utilizada rotineiramente em cirurgias de catarata.
Isto facilitou a tolerância do paciente à operação, possibilitando uma
manipulação do olho por parte do cirurgião. Além disso, em 1884, Carl
Koller descobriu o efeito anestésico local da cocaína, por meio de
estudos na córnea e conjuntiva de sapos. A anestesia local em
oftalmologia foi apresentada no Congresso de Heidelberg no mesmo ano,
tendo sido aceito imediatamente no mundo inteiro. Com a evolução dos
materiais e substâncias, no início do século XX foram melhoradas as
técnicas de acinesia e anestesia do olho. Anton Elsching propôs, em
1928, pela primeira vez, a técnica de injeção retrobulbar de anestésico
para imobilizar e anestesiar o globo ocular. Van Lint, em 1914, já
havia conseguido imobilizar o músculo orbicular, injetando anestésico
diretamente nas fibras musculares.
O segundo grande avanço foi a introdução de suturas para o
fechamento da ferida. Henry Willard Williams foi o primeiro a reportar
esta técnica, ao suturar o limbo usando uma agulha de costura e um
fino fio de seda. Devido ao fato do material utilizado ser muito
grosseiro, esta idéia não foi bem aceita, tendo permanecido esquecida
por mais 30 anos. Em 1894, o francês Jean Eugène Kalt reintroduziu a
técnica de sutura corneo-escleral, utilizando agulhas e fios mais bem
adaptados aos interesses oftalmológicos. O terceiro avanço foi quando
Albrecht Von Graefe, propôs em 1864, uma nova abordagem para abertura
do olho, a incisão limbar periférica. Esta nova técnica proporcionou
uma incisão menor, mais eficiente e que protegia mais o olho, elevando a
taxa de sucesso e reduzindo drasticamente a incidência de
endoftalmite.
Com todas estas mudanças, a técnica intra capsular
começou a ganhar adeptos, principalmente após os estudos de Macnamara,
Molrony e Smith no final do século XIX, na Índia. Entre a primeira e a
segunda guerra mundial esta técnica ganhou projeção, desbancando a extra
capsular e tornando-se o método de escolha para o tratamento da
catarata. Dois fatores levaram à predileção da técnica intra capsular,
em relação à extra capsular. Primeiramente, como não havia microscópio,
era muito difícil remover todo o córtex. Quando não removido
completamente, o córtex residual provocava uma grave e destrutiva
reação inflamatória que , invariavelmente, culminava na perda total ou
parcial da visão. Além disso, não era incomum a opacificação da cápsula
posterior devido aos restos corticais. Por outro lado, a técnica intra
capsular, por remover todo o cristalino juntamente com sua cápsula, não
era susceptível a estes tipos de complicações. Em segundo lugar, a
técnica extra capsular exigia do cirurgião muita habilidade e
treinamento, e a perda vítrea inadvertida era considerada uma
complicação grave. Conseqüentemente, os cirurgiões pouco habilidosos
obtinham melhores resultados com a técnica intra capsular.
No início do século XX, a facectomia intra capsular já
era considerada o método de escolha para o tratamento da catarata.
Durante, e logo após a Segunda Guerra Mundial, a extração intra
capsular com iridectomia periférica havia se aperfeiçoado de tal forma
que, alguns médicos, acreditavam que não se poderia melhorá-la ainda
mais.
Grandes avanços médicos foram alcançados durante a
segunda metade do século XX, em decorrência da Segunda Guerra Mundial, e
isto repercutiu na oftalmologia. O primeiro foi a introdução da micro
cirurgia. Equipamentos para amplificação, inicialmente as lupas, e,
após 1950, os microscópios, adaptado por Harms e Barraquer ao uso
oftalmológico. Outros dois avanços importantes ocorreram com a técnica
intracapsular: em 1958, Joaquim Barraquer descreveu o uso de uma enzima
para desfazer a zônula e em 1961, o polonês T. Krwawicz propôs de
crioextração. Ambas facilitaram a remoção do cristalino e contribuíram
bastante com a melhoria dos resultados cirúrgicos. A partir de 1960, a
cirurgia extracapsular voltou a ganhar força com o surgimento de novas
técnicas e equipamentos, deixando a intracapsular em segundo plano. O
primeiro, e talvez mais importante passo para esta mudança, foi dado em
1949, pelo inglês Harold Ridley, ao desenvolver e implantar a primeira
lente intra-ocular. No entanto, as primeiras lentes eram
grandes e pesadas, tendo provocado um grande número de
complicações. Demorou cerca de 10 anos, até que Cornelius Birkhorst
conseguisse desenvolver, a partir do modelo de Ridley, uma lente mais
bem adaptada ao olho humano. Birkhorst não só aprimorou a lente
intra-ocular de Ridley, como também determinou que, a melhor técnica
cirúrgica para seu implante seria a extracapsular, por preservar a
cápsula posterior, permitindo o posicionamento ideal da lente dentro do
saco capsular.
Outro importante passo foi dado por Charles Kelman, que
em fevereiro de 1965, sugeriu que o equipamento de ultra-som utilizado
pelos dentistas
poderia ser adaptado para fragmentar o cristalino,
permitindo a remoção do mesmo sem a necessidade de amplas incisões.
Depois de dois anos de trabalho árduo, Kelman apresentou seu engenhoso
equipamento de facoemulsificação. Por este método, através de uma
abertura na cápsula anterior, o cristalino seria fragmentado por
ultra-som e aspirado pela cânula do próprio equipamento. Desta forma, o
cirurgião trabalharia em um sistema fechado, evitando a
realização de amplas incisões e, conseqüentemente, exposição
excessiva do interior do globo. A primeira cirurgia em olho humano
demorou cerca de 3 horas, o equipamento era grande, pouco eficiente, de
difícil controle e extremamente pesado, por isso, de início, esta
técnica foi alvo de muitas críticas. Entretanto, três fatores agiram
sinergicamente para possibilitar o desenvolvimento da moderna cirurgia
de facoemulsificação: o progresso tecnológico (particularmente dos
mecanismos de controle eletrônico); novas técnicas cirúrgicas
(principalmente a abertura da cápsula anterior por meio de uma incisão
curvilínea contínua – capsulorréxis12); e o desenvolvimento de lentes
intra-oculares dobráveis de alta qualidade. Os cirurgiões,têm
atualmente à sua disposição, equipamentos cada vez mais sofisticados, o
que permite um controle cada vez maior do procedimento e,
conseqüentemente, maior segurança para o paciente.
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Grandes Oftalmolgistas que Desenvolveram a Moderna Cirurgia de Catarata
Harold Ridley
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Para além das
vitórias militares atingidos pelos aliados na II Guerra Mundial, as
sementes para uma independência igualmente significativa, na área
médica, foi a vitória contra um tipo de cegueira.
Uma série de brilhantes observações foram feitas por uma
pessoa iluminada, observações que formaram a base para uma inovação que
revelou-se uma das mais monumentais descobertas médicas do século 20: A
lente intra-ocular. Sem exagero, o implante de lente intra-ocular levou
à cura de multi-milhões de pessoas deficientes visuais no mundo - um
grande passo para a erradicação da cegueira.
Um jovem oftalmologista britânico chamado Harold Nicholas
Ridley, observou enquanto tratava pilotos feridos durante a guerra.
Junto com seus colegas, Ridley trata de muitos pilotos que sofreram
acidentes. Alguns tinham lesões oculares em que fragmentos de plástico
quebrado (Plexiglas), da cobertura da cabines, penetraram nos seus
olhos.
A guerra passou e ele continuou a encontrar alguns desses
pilotos feridos. Ele observou que os fragmentos de plástico poderiam
ser bem tolerados dentro do olho. Além disso, como esses pilotos foram
seguidos durante outra década, notou que os olhos iriam permanecer
saudáveis a longo prazo. Baseado nestas observações clínicas ele propôs
que seria possível um implante artificial de próteses de plástico -
dentro do olho – a fim de ajudar a curar cegueira de diferentes doenças.
Pela primeira vez na história a restauração da visão pelo implante
artificial de uma lente intra-ocular (LIO) foi concebido!
Sir Harold fez o primeiro implante do seu dispositivo em uma
enfermeira cega, que se ofereceu como voluntária, em Londres, em 1949.
Em 1999, ele foi escolhido em uma eleição mundial de seus
pares como um dos 10 mais influentes oftalmologistas na história e foi
eleito para o “Hall da Fama da Oftalmologia” em um dos mais importantes
encontros internacionais. Suas descobertas agora potencialmente afetam
quase todos os seres humanos, que vão desde as pessoas que usam lentes
contato feito a partir de várias matérias plásticas que ele e os seus
colegas tinham estudado a mais de 6.000.000 pessoas anualmente por todo
o mundo que têm a sua visão restaurada..
Em grande parte por causa de sua invenção, na última meia
década do século 20, foi denominado por alguns a Idade do Ouro da
oftalmologia e as ciências visuais. |
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Visão em peça anatômica de olho com a lente de Ridley implantada. |
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Cornelius D. Binkhorst
O oftalmologista holandês Cornelius Binkhorst fez
contribuições fundamentais para o desenvolvimento de lentes
intra-oculares. Ele foi um dos primeiros cirurgiões a implantar as
lentes de Ridley, mas logo começou a realizar melhorias. Em 1958, ele
introduziu a primeiro lente de fixação na íris, seguido por várias
alterações, todas destinadas a proporcionar uma melhor estabilidade e
centralização no olho. Durante um período de várias tentativas e erros,
Binkhorst teve honestidade intelectual e força de vontade. Utilizou
tanto seus sucessos como fracassos e inspirou confiança nos muitos
oftalmologistas que vieram do mundo inteiro para treinar com ele. Ele
também foi influente em fazer os cirurgiões mudarem das técnicas intra
capsulares para extração extra capsular, algo muitos acreditam agora
era a sua mais importante realização. Binkhorst foi um excelente
Cirurgião e um entusiasta professor cujo profundo compromisso com a
melhoria do implante LIO foi e será reconhecido por todos os
oftalmologistas.
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Charles Kelman
O oftalmologista norte-americano, Dr. Charles Kelman morreu aos 74 anos, após uma longa batalha contra um câncer pulmonar.
Considerado um dos mais brilhantes especialistas
na área da catarata do século passado, coube a Kelman inventar em 1967
a técnica de facoemulsificação, baseada em um sistema de ultra-som
capaz de remover o cristalino através de uma minúscula incisão ocular.
Este procedimento acabou por revolucionar a cirugia de catarata,
fazendo a oftalmologia caminhar em 35 anos mais do que todos os 3000
anos que antecederam a esta sua fantástica invenção.
Seu nome também está associado mas às suas
lentes intra-oculares de câmara anterior, as únicas a sobreviverem à
prova do tempo e que continuam válidas para a correção secundária da
afacia e como uma alternativa no momento em que se torna impossível a
implantação de um cristalino artificial na câmara posterior.
Como um daqueles raros gênios que nascem em cada
século, Charles Kelman inventou a crioextração, a crioterapia para
correção de descolamento de retina, inúmeros instrumentos
oftalmológicos; era detentor de mais de 100 patentes, tendo sido
agraciado com a National Medal of Technology pelo Presidente George H.
W. Bush em 1992, pela sua invenção da facoemulsificação. Também foi
premiado com a American Academy of Achievement Award (1970), a Ridley
Medal do International Congress of Ophthalmology (1990), Inventor of
the Year Award da The New York Patent, Trademark and Copyright Law
Association (1992), além de ter sido presidente da American Society of
Cataract and Refractive Surgery (1995-1997). Em sua homenagem a ASCRS
já a partir de 2003 mudou o nome da conferência principal de seu evento
anual de Innovator's Lecture Award para Charles D. Kelman Innovator's
Lecture.
Fora da medicina, Kelman era piloto profissional e
ele mesmo costumava pilotar seu avião, principalmente para Boca Raton,
na Flórida onde tinha sua casa de veraneio. Era músico exímio, uma de
suas maiores paixões era tocar saxofone, e em seu consultório em Nova
York um dos quadros pendurados em uma das paredes que mais se orgulhava
de mostrar, era uma cópia ampliada de uma longa crítica do jornal The
New York Times, tecendo os maiores elogios a uma performance sua no
Carnegie Hall.
Grande admirador do Brasil, por várias vezes Kelman
veio ao país, e aqui ajudou a implantar e difundir sua técnica no
final da década de 70, início de 80, a despeito da imensa resistência
então reinante ao novo procedimento cirúrgico.
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